Sírios cristãos defendem decisão de barrar refugiados: `Eles vêm de uma guerra religiosa´

Sírios cristãos defendem decisão de barrar refugiados: `Eles vêm de uma guerra religiosa´

O decreto do presidente Donald Trump, que proíbe a entrada de refugiados e imigrantes de sete países, vem desencadeando uma tempestade política nos Estados Unidos.

Embora sua decisão tenha dividido a nação, muitos cristãos sírio-americanos concordam com a ação do novo presidente. “Trump está certo, de certa forma, em fazer o que está fazendo. Este país está um desastre”, defendeu o sírio Elias Shetayh.

Sua visão é compartilhada por muitos em Allentown, na Pensilvânia, que abriga uma das maiores comunidades de sírios-americanos nos EUA. “Não gostaríamos de trazer refugiados por uma simples razão: não sabemos seus antecedentes”, afirmou o sírio Aziz Wehbey. “Se, Deus me livre, um ataque terrorista acontecer aqui, todos seremos rotulados como pessoas más. Eu odeio dizer isso”.

O contexto religioso é um ponto que pesa nessa questão. Os sírios de Allentown são cristãos; os recém-chegados, tendem a ser muçulmanos.

“Nós não estamos sendo preconceituosos contra o Islã, de forma alguma. Contanto que você seja um bom ser humano, tem o direito de acreditar no que quiser. Mas a maioria da população síria é cristã por aqui”, justificou Wehbey. “Agora eles estão trazendo novos elementos da Síria, são refugiados de uma guerra religiosa. Podem ter ódio no coração pelo que aconteceu. E não queremos ver um conflito aqui”.

Aziz chegou nos EUA em 1991, quando tinha 19 anos. Elias está no país há 46 anos e sua mulher, Georgette, há 30. Juntos, o casal inaugurou o restaurante Saado’s e todos agora são cidadãos americanos.

No entanto, mesmo na comunidade síria cristã não há consenso sobre o decreto. Fouad Younes, por exemplo, se mostra preocupado com famílias que agora serão separadas. Mesmo não concordando com a decisão de restringir os refugiados, o sírio ressalta que Trump está certo em exigir que sejam rigorosamente verificados.

“Dizer para aqueles que têm visto que não podem entrar é uma vergonha. Mas, em vez de brigar entre nós, devemos dar uma chance ao homem. Talvez ele traga os empregos de volta”, disse Fouad.

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