Sem ‘salvador da pátria’ Brasil enfrenta ‘caos político’, diz Le Monde

Manisfestações populares no dia 15 de março, mobilizaram milhares de brasileiros inconformados com a situação política, econômica e social do país

A conturbada situação política do Brasil é tema de um artigo opinativo publicado no jornal ‘Le Monde’ desta segunda-feira (30). O país enfrenta um “caos político” e deve adotar uma série de reformas para “reinventar sua democracia”, estima o texto.

O “caos político” a que se refere ao artigo foi mencionado em um documento vazado pela secretaria de Comunicação da presidência da República. Apesar de negar tal situação caótica, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, é “atropelado pelos fatos”, estima o artigo assinado pelo jornalista Paulo Paranaguá.

Segundo ele, o escândalo da Petrobras envolvendo o Estado e as empreiteiras abalou a coalizão de governo. O Partido dos Trabalhadores, da presidente Dilma e do ex-presidente Lula perdeu sua aura de “salvador da pátria”, bem como sua capacidade de mobilizar multidões.

O texto cita a pesquisa em que 84% dos brasileiros acreditam que a presidente sabia dos casos de corrupção na estatal petrolífera.

Histeria

Uma parte da opinião pública e dos políticos só se expressa de maneira “histérica”, afirma o jornalista. Por um lado, os que pedem o impeachment de Dilma Rousseff sem saber direito suas consequências, e, de outro, os que defendem um golpe militar.

“As análises mais moderadas pregam um mandato presidencial limitado à mediocridade, com uma Dilma Rousseff fragilizada, uma economia morosa e um descontentamento social crescente”, afirma.

Segundo Paranaguá, a extensão da corrupção impede o país entender “a origem do mal”. A reflexão aponta como grande problema o sistema político brasileiro, povoado por mais de 30 partidos representados no Congresso e “mais interessados em explorar os recursos do Estado em benefício próprio”.

Outro problema apontado pelo artigo é a polaridade entre dois grandes partidos, uma herança do período militar. Um breve resumo do histórico partidário leva ao papel desempenhado hoje pelo PMDB, definido como uma “poderosa federação de eleitos sem identidade política”.

A decepção com antigos governos, como o de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), é que as alianças partidárias são oportunistas, para garantir maioria no Congresso, e não coalizões baseadas em acordos sobre programas políticos.

“Ingovernabilidade”

Segundo o artigo, a candidata à presidência Marina Silva foi a única a denunciar publicamente o que muitos políticos só dizem entre quatro paredes: o antagonismo entre PSDB e PT se tornou um absurdo e não é mais viável. A disputa entre os três poderes da República evidencia que a situação está “ingovernável”.

Não é mais possível aceitar o caos político brasileiro como “uma fatalidade”, escreve o jornalista. Paulo Paranaguá afirma que não dá mais para adiar as reformas política, dos financiamentos de campanha e do estatuto dos partidos. É preciso “virar a mesa”, mudar as regras do jogo, “reinventar a democracia”, escreve.

O artigo sugere que o PMDB não deve comandar a “mãe de todas as reformas”, ou seja, a reforma política, porque é o partido que mais se beneficia com o atual sistema. A presidente Dilma e o PT sozinhos não vão mudar o panorama. É preciso que os “reformadores” do PT, do PSDB, e líderes como Marina Silva trabalhem juntos para superar esse grande desafio. E, também, evitar uma “nova configuração das forças conservadoras e populistas”, conclui.

 

Fonte: RFI

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